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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Peregrinação

Queridos amigos, voltei! Foram quase vinte dias participando de uma peregrinação pelos lugares onde Pe. Dehon, fundador da minha família religiosa, viveu e fundou da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (Dehonianos-SCJ). Aqui tem um pequeno relato dos lugares onde passamos.



Nosso destino era fazer o “Caminho das Fontes”, ou seja, conhecer os lugares onde Padre Dehon viveu e fundou nossa Congregação. Éramos dezenove peregrinos. Dezessete do grupo de formadores, Pe. Fenando Fonseca, responsável pelo grupo e pelo retiro, e Pe. Mário Marcelo, que faz doutorado em Roma e foi testemunha ocular dessa viagem.
Passamos a primeira noite em Albissola, ainda na Itália, quase na fronteira com a França, no Centro de Espiritualidade de nossos padres. Na manhã seguinte, celebramos a missa no Santuário Madonna della Pace, e continuamos nossa viagem.
Nosso dia foi intenso, passamos por Ars, Cluny e Taizé. Um dia para ficar sempre em nossos corações.
Chegamos na pequena cidade de Paray le Monial, pequena mas imensamente importante para a espiritualidade do Coração de Jesus, onde ficamos por duas noites.
Sabemos o quanto esse lugar foi caro ao Pe. Dehon. Tivemos a oportunidade conhecer, com calma, a Basílica do Sagrado Coração, a Capela de São Cláudio Colombiere e celebramos uma missa na Capela da Visitação, ao lado do corpo de Santa Margarida Maria. O tempo frio e chuvoso nos ajudou a rezar.
Deixamos a bela cidade de Paray le Monial e fomos para São Quintino, com direito a uma pequena parada em Reims, onde visitamos a bela Catedral de Notre Dame.
Em São Quintino fomos recebidos pelos confrades dehonianos e, depois do jantar, fizemos um momento de oração diante do túmulo de Padre Dehon.
Talvez foi um dos momentos mais forte para todos nós. Antes de deixar Paray le Monial, compramos um buquê de flores para levar ao Padre Dehon. Flores compradas na cidade do Coração de Jesus e depositadas depois no túmulo do Padre Dehon. Mas antes de oferecermos as flores, cada um de nós fez uma pequena oração, um agradecimento pela vocação dehoniana, pela congregação, por esse momento. Cada um pôde falar na sua própria língua, dando a esse momento um toque da nossa internacionalidade. Ficamos dois dias em São Quintino, onde conhecemos os principais lugares onde Padre Dehon trabalhou e iniciou nossa Congregação.
Foram momentos especiais, fizemos visita pela cidade, celebramos na Paróquia de São Martinho, ouvimos a partilha da experiência dos padres dehonianos que trabalham na paróquia, realizamos uma visita ao Santuário Notre Dame, em Liesse e à cidade de Laon. Depois dessa bela experiência em São Quintino, despedimos do Padre Dehon e partimos rumo à Paris.
Passamos um dia na Cidade Luz. Começamos pela Igreja de São Sulpício, Torre Eifel, Catedral de Notre Dame e Basílica do Sagrado Coração, no Montmartre, onde celebramos a missa e partimos rumo à La Capelle
A cidade natal de Pe. Dehon é pequena mas cheia de significados para todos nós, dehonianos. Ficamos na casa onde Pe. Dehon nasceu e tivemos tempo para descansar, rezar e olhar os lugares onde nosso fundador viveu. Ficamos um pouco mais dehonianos depois dessa parada. Nossa peregrinação está caminhando bem e estamos felizes.
Próxima parada foi em Buxelas, na Bélgica, onde celebramos a missa e almoçamos com nossos confrades e seguimos para Clairefontaine.
Aqui, nossa pausa foi mais longa e Pe. Fernando pregou para nós o retiro. Realizamos nosso retiro em silêncio, com pequenas colocações do Pe. Fernando e partilhas durante a missa. Foram três dias muito bem vividos. Foi o ápice de nossa viagem.
Despedimos da comunidade dehoniana em Clairefontaine e seguimos rumo à Alemanha. Paramos em Trier, Neustad,, Speyer, Worms e Freiburg. Nossos confrades dehonianos foram muito acolhedores e atenciosos conosco. Foram dias felizes e a convivência com os confrades nos deixou com a sensação de que realmente ser dehoniano é ser acolhedor.
Despedimos da Alemanha, entramos na Suíça, onde almoçamos em Lucerna, e voltamos para Itália. Em Capiago, celebramos a missa na bela capela de nossa casa de retiros, passamos a noite em Como e seguimos para Boccadirio, onde conhecemos nosso Santuário, almoçamos e voltamos para Roma.
Foram dezoito dias de muitas emoções, e assim terminamos o nosso curso de formadores. Temos a sensação de que conhecemos melhor o nosso fundador e que somos uma grande família dehoniana, espalhada pelo mundo todo, com diversas culturas, mas caminhando na mesma experiência de Amor feita pelo Pe. Dehon.

sábado, 11 de junho de 2011

Alemanha

Desculpem-me o silencio e a falta de pontuacao. Estou numa peregrinacao e nesse exato momento vejo um belo por-do-sol na cidade de Neustadt, na Alemanha. Proxima semana retorno a Roma e colocarei os textos e as fotos desta viagem.
Bom Pentecostes a todos e que as luzes do Espirito Santo vos iluminem sempre.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Em Saint Quentin, diante do túmulo de padre Dehon

Saint Quentin é uma cidade tranqüila e bela. Não se vê muito os horrores que as duas Grandes Guerras Mundiais produziram na cidade, apesar de alguns sinais terem sido preservados para que a memória não apague os erros do passado, e assim garanta que os mesmos não sejam repetidos hoje.
Perto do hotel onde estamos tem um cemitério, com uma bandeira francesa e muitas cruzes, indicando que aqui várias pessoas perderam a vida e outras não tiveram muito tempo de paz.
Na Igreja de Saint Martin, encontramos uma acolhida alegre de nossos confrades dehonianos, que prepararam um bom jantar à moda francesa. O padre Antônio, espanhol que há mais de vinte anos trabalha aqui na França, recebeu-nos e foi respondendo as diversas perguntas curiosas que tínhamos. Já os padres Bernard e Marcel, chegaram depois, estavam preparando o jantar. Ficamos sabendo que eles são conhecidos como “padres operários”, pois realizaram a missão de sacerdotes no meio dos operários das fábricas, tornando-se também eles operários para ficarem mais próximos desse povo. Passou pela minha cabeça toda a história de padre Dehon, que ao longo da formação eu tinha lido nos livros e escutado dos padres mais experientes, e agora, bem na minha frente, tudo se faz presente.
O jantar aconteceu num pequeno salão paroquial, no fim, ajudamos na arrumação da louça e do ambiente, e fomos para a Igreja. Só quando eu entrei dei-me conta que ali estava sepultado o Padre Dehon, nosso fundador. Minha razão de ser dehoniano está na coragem e na fé daquele homem. Quantas vezes eu ficava imaginando a sua realidade, a França de sua época, a cidade de Saint Quentin. Quantas vezes eu tentei entender o carisma dehoniano e adquirir uma espiritualidade do Coração de Jesus, como o próprio Dehon pensava. E agora, aqui estou diante do túmulo do Padre Dehon.



Já passava das nove e meia da noite, mas ainda era claro, pois o sol aqui não vai dormir cedo e às vezes espera a gente ir primeiro. Dentro da Igreja, construída pelo próprio Dehon, estava só o nosso grupo de formadores. Fizemos um semicírculo diante do seu túmulo, e iniciamos uma celebração. Não foi muito longa, mas intensa. Podia ver nos olhos de cada um de nós a emoção daquele momento, éramos dehonianos de tantas partes do mundo, de culturas tão diversas, mas ali, éramos todos filhos do mesmo Pai espiritual. Depois de uma pequena leitura, um silêncio, um canto e um por vez, com um ramo de flores nas mãos, fizemos um agradecimento especial. Alguns rezaram na sua própria língua, o que dava àquele momento um toque especial de internacionalidade e de dimensão congregacional.
No final, Vímal, nosso diácono indiano, depositou as flores sobre o túmulo e depois de um breve silêncio, cantamos.
Tudo é muito simples. A cidade não é grande, a Igreja onde iniciou a primeira comunidade dehoniana não é totalmente bela, o nicho onde estão depositados os restos mortais do Padre Dehon é humilde, mas ali, toda a nossa dehoneidade falou alto, é como se gritasse dentro de nós todas as verdades defendidas por padre Dehon. É como se coroasse todo o nosso curso de formadores, vivido nesses últimos meses. Veio-me à mente algumas frases atribuídas ao Padre Dehon: “deixo-vos o mais maravilhoso de todos os tesouros: o Sagrado Coração de Jesus”; “por Ele vivi, por Ele morro”; é preciso ter a bíblia numa mão e o jornal na outra”; “um homem que quer transformar a sociedade não pode ter idéias tímidas”, enfim, frases que nos ajudam a entender a força que este padre teve e toda a sua dedicação para fazer deste mundo um lugar melhor.
No encerramento deste momento, padre Antonio nos disse uma frase que um confrade francês falava sempre quando encontrava alguns dehoniano que vinha visitar Saint Quentin: “Vocês vem aqui para ver Padre Dehon, mas na realidade são vocês que acabam trazendo Dehon para nós”. Ele tem razão. Padre Dehon continua vivo na sua obra espalhada pelo mundo. Aqui está só o começo de toda essa história que, em nós, se faz atual.
Nossa peregrinação continua. Mas agora está com outra cor e outro sabor. No meu agradecimento, diante do grupo, eu disse uma frase que me motivou a conhecer pela primeira vez um seminário dehoniano: “Venha construir conosco a Civilização do Amor!”. Agradeci a Deus a vocação religiosa dehoniana, agradeci ao Padre Dehon toda a sua coragem de viver radicalmente o evangelho, e pedi que me ajudasse a ser fiel como dehoniano.
Na vida é preciso ter sempre motivações verdadeiras para poder realizar nossos sonhos. Melhor ainda é quando encontramos outras pessoas que também sonham como nós.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Agora eu sou um peregrino


Domingo eu acordei muito cedo. Precisa terminar de arrumar a mala, fazer a barba, tomar um bom banho e ir para missa. Tivemos uma celebração dominical na capela de nossa casa, em Roma. Era o VI Domingo da Páscoa, ouvimos no evangelho de João, Jesus falando que não nos deixará órfãos. É realmente reconfortante mergulhar profundamente na Palavra. Compromete-nos e consola, sempre.
Missa pronta, café tomado, partimos em peregrinação pelos lugares dehonianos. Eu não imaginava que pudesse viver essa experiência de maneira tão profunda como estou vivendo. É como se a vida fosse acontecendo de maneira tão intensa que quase não tenho tempo para respirar. Mas sei muito bem que todo esse tempo de estudos tem uma razão de ser, preciso me preparar para a missão, que é árdua e exigente. Trabalhar na formação de novos religiosos é sempre desafiador. A matéria prima é o coração do homem, são os jovens que encontrarei pela frente e mais do que ensinar alguma coisa, precisarei vivê-la com eles. Só mesmo a ajuda de Deus, que chama e que conduz, é que faz deste trabalho algo possível.
Mas partimos. Almoçamos em Pisa, ao lado da torre que parece que vai cair a qualquer momento e dormimos em Albissola, no Santuário Dehoniano de Nossa Senhora da Paz. Um lugar lindo, no meio de muito verde e muitas colinas, bem próximo do mar e do porto de Gênova, onde por muitos anos foi a porta de saída de tantos italianos que buscavam vida melhor na América, como fizeram meus antepassados.
Nossos confrades nos receberam com alegria, nos falaram daquele lugar de paz e, de maneira especial, nos falaram de esperança. Nossa província italiana está envelhecendo, como tantas em toda a Europa, e as vocações são raras, mas eu vi brilho nos olhos daqueles velhos dehonianos. Padre Bruno, com seus 92 anos, disse que “é preciso colocar no coração dos jovens a paz, só assim será possível um mundo novo”. Mas é isso que eu sonhava quando era jovem, pensei. Fiz uma prece pedindo a Deus que me dê a graça de chegar nessa idade com esse mesmo brilho nos olhos.
No dia seguinte acordamos antes do sol, celebramos a eucaristia e partimos, afinal, caminhar é preciso.
Chegamos à França, e o primeiro encontro foi em Ars, terra de são João Maria Vianney, depois partimos para Cluny, um lugar com mais de mil anos de cristianismo, andamos à Taizé, fiquei emocionado com a espiritualidade do lugar, e terminamos em Paray le Monial, terra do Coração de Jesus, da santa Margarida Maria e de são Cláudio Columbiere. Meu Deus, muita emoção para um mesmo dia... preciso descansar um pouco. Amanhã teremos um dia de recolhimento e oração. Eu continuo ouvindo as palavras de Jesus de domingo passado: não vos deixarei órfãos.
Obrigado Senhor, e não se esqueça de fazer o meu coração semelhante ao seu, mesmo que isso seja difícil.